Laticínios premiam a qualidade do leite

 

As indústrias de laticínios estão começando a pagar prêmio aos produtores que fornecem leite com maior índice de proteínas e gorduras. A iniciativa, ainda incipiente no mercado, foi impulsionado pela ampliação das exportações de leite e derivados e tem como objetivo aumentar a competitividade das indústrias no exterior.

A DPA – Dairy Partners Américas, joint venture entre a neozelandesa Fonterra e Nestlé – foi o primeiro grupo a implantar o programa, em janeiro deste ano. A Cooperativa central de Laticínios do estado de São Paulo (CCL), a Batávia, e a cooperativa mineira Itambé também estão implantando programas semelhantes.

Jacques Gontijo, vice-presidente da Itambé, observa que o leite produzido no Brasil possui em média 12,5% de sólidos(gorduras, proteínas e sais minerais) por litro, contra 14% na Nova Zelândia. Com essa diferença, a Nova Zelândia gasta 7 litros para produzir 1 quilo de leite em pó, enquanto o Brasil utiliza 8 litros. “Eles são mais competitivos e para o Brasil ser um grande exportador de derivados precisa  melhorar a qualidade do leite, seja com alimentação ou melhoramento genético”, diz Gontijo.

O programa de premiação também atende á Instrução Normativa nº 51/2001 do Ministério da Agricultura, que torna obrigatória, a partir de julho, a presença mínima de 3 gramas de gordura e 2,9 gramas de proteínas por cada 100 gramas de leite, entre outras exigências. “as empresas estão premiando produtores que oferecem leite com níveis acima desses previstos na instrução”, diz Gontijo.

A Itambé inicia em junho o programa, que prevê prêmios de até 7% sobre o preço do leite com índice de sólidos acima do exigido por lei.   A cooperativa pretende ampliar a industrialização de 2,4 milhões de litros/mês em 2004 para 3,5 milhões de litros/mês.

A DPA, líder em captação de leite oferece prêmio de R$ 0,029 por litro com teor de gordura acima de 4,4% e R$ 0,077 por litro com teor acima de 4%. O programa envolve sete mil produtores 120 cooperativas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Bahia. A Nestlé informou via assessoria de imprensa que já houve melhora na qualidade do leite desde a criação do programa. A empresa espera ampliar em 6% o processamento este ano, mas não informa o volume.

Cristiane de Paula Turco, da Scot Consultoria, observa que a exigência por qualidade começou este ano e deve ser adotada principalmente pelos laticínios, para os quais o nível de sólidos influencia na produtividade. “A premiação por qualidade deve se tornar uma tendência no longo do prazo”.

A preocupação com a qualidade do leite trouxe ânimo novo á subsidiária da holandesa Alta Genetics, sediada em Uberaba (MG). A empresa está investindo US$ 3 milhões na montagem de uma central de produção de material genético em Uberaba, que começa operar em junho. A unidade terá capacidade para 164 touros, mas vai inciar operação com 96.

Cláudio Aragon, gerente de gado de leite importado da empresa, diz que a  unidade irá atender a demanda por material genético para gado de leite no país e de gado de corte para a América do Sul e Europa. Ele diz que a receita da empresa deve crescer 25% este ano.

            Heverardo de Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), diz que o melhoramento genético para gado de leite é iniciativa nova no Brasil e pode elevar as vendas de sêmen este ano. Em 2004, as vendas de sêmen de gado de leite nacional caíram 3,24% para 1,206 milhão de doses de importação subiram 3.41%  para 1,375 milhão.

 

 

Jornal Valor Econômico  - Página B10, 18 de março de 2004.

 

 

 

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